É notório, na região norte do país, que existe um namorador, vestido todo de branco, de chapéu na cabeça, que tem grande lábia e é muito charmoso. Em noites de lua cheia ou quando há grande bailes, festivais e festas juninas, nossa personagem sai das águas dos rios para encantar belas moças com suas danças, conversa e sedução. O boto é um ser místico, que se transforma num belo homem, conquista as mulheres e as engravida. Inicialmente ele fazia isto apenas nas beiras dos rios e lagos, contudo, com o passar do tempo, ele saía para beber e festejar entre os homens e apreciar belas mulheres.
Apesar da transformação, o boto ainda possui uma característica que o entrega: Um orifício em sua cabeça, específico dos botos. Por este motivo, criou-se o hábito de que os homens, ao chegar para tirar uma moça para dançar, retire o chapéu e faça uma reverência, para que ela possa ver a cabeça de seu possível par. Caso o boto obtiver sucesso no flerte (e quase sempre tinha), ele levava a bela moça para as margens do rio, tinha relações com ela e desaparecia na madrugada, deixando pra trás uma gravidez inesperada. Muito se usou desta lenda como desculpa para justificar gravidezes indesejadas ou inesperadas em mulheres que praticavam o adultério ou não podiam dizer como tinham engravidado. O pai? Era sempre o boto.
Considerações: esta personagem é uma das que tem maior constância em relação às suas origens, que sempre levam um homem belo e charmoso a seduzir belas jovens e engravidá-las, deixando pra trás mistério para quem escuta a história e saudades àquelas que se relacionaram com ele, até mesmo adoecendo com sua falta. O boto é pai de muitos que não possuem seu nome e leva consigo o amor daquelas que cortejou, mas abandonou. Curioso, não?


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